Amazonas – A Justiça decidiu transferir Luciane Barbosa Farias — conhecida como “Dama do Tráfico” — do sistema prisional para o cumprimento de prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico. A mudança ocorre quase um ano após sua captura em Cascavel (PR), durante uma operação coordenada pela Polícia Federal e pela FICCO/PR.
Luciane é apontada como uma das principais articuladoras financeiras do Comando Vermelho no Amazonas e é casada com Clemilson dos Santos Farias, o “Tio Patinhas”, que cumpre pena em um presídio federal de segurança máxima. A decisão transfere a investigada para casa, onde seguirá sob regras rígidas impostas pela Justiça.
De condenada a foragida e, depois, recapturada
Condenada pela Justiça Federal a 10 anos de reclusão por associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, Luciane chegou a permanecer em liberdade mesmo após a sentença. O mandado de prisão definitiva foi expedido somente em janeiro de 2025, e ela passou meses foragida.
Em 28 de maio de 2025, a Polícia Civil localizou a investigada em uma residência na Zona Norte de Manaus, encerrando o período de fuga que vinha sendo monitorado pelas autoridades.
Investigações que começaram anos atrás
O nome de Luciane aparece nos bastidores da segurança pública desde 2015, quando a Operação La Muralla revelou detalhes do funcionamento da estrutura criminosa do Comando Vermelho no Amazonas. Desde então, ela é descrita em relatórios policiais como responsável pela movimentação e administração de recursos ligados à facção.

Sua prisão no Paraná, em setembro de 2024, foi considerada um avanço em investigações que se estendem por quase uma década.
A repercussão que levou o caso para o noticiário nacional
Em 2023, Luciane ganhou atenção em todo o país após participar de reuniões oficiais em Brasília, apresentando-se como presidente do Instituto Liberdade do Amazonas (ILA). A entidade dizia atuar em defesa de presos, mas a presença dela em ministérios provocou reações, críticas públicas e revisões de protocolos de acesso a prédios federais.

O episódio colocou seu nome no centro do debate sobre infiltração de grupos criminosos em debates institucionais.
Próximos passos
Com a decisão judicial que autorizou a prisão domiciliar, Luciane deverá permanecer em casa usando tornozeleira eletrônica, enquanto seguem os desdobramentos das investigações e o cumprimento da pena. O caso continua a ser acompanhado de perto por autoridades federais e estaduais, já que envolve ações de grande impacto contra o crime organizado no Amazonas.
